terça, 29 de julho de 2014 - 13:47h

5696Revista Eletrônica Boletim do Tempo - Estudos de Defesa e Política Internacional

ISSN
1981 - 3384
ANO 6
n 19, RIO, 2011
Edição do mês de Dezembro confira o expediente dessa edição

Colômbia: Política Externa em Fluxo

por: Eliot Brockner 1

 

A melhoria dos laços da Colômbia com a Venezuela e seus vizinhos ao sul são apenas alguns sinais da discreta mudança da política externa implementad: pelo recém eleito presidente Juan Manuel Santos – mudanças estas que podem ter implicações positivas para a segurança e cooperação regional na América Latina.

 



Nos últimos dias de 2010, o presidente colombiano Juan Manuel Santos emitiu uma declaração agradecendo ao presidente venezuelano Hugo Chávez por seu “apoio cada vez maior em todas as áreas, incluindo a segurança”. O anúncio veio no rastro de uma decisão de Caracas: a de extraditar Nilson Alvin Teran Ferreira 2 para Valledupar, capital do Departamento Cesar, que faz fronteira com a Venezuela.
Esse é apenas um dos muitos atos de cooperação mútua entre os presidentes Chávez e Santos, que tomou posse em Agosto de 2010 após atuar como Ministro da Defesa da Colômbia. Santos priorizou imediatamente fechar a significativa fenda que crescera entre Colômbia e Venezuela no governo de seu antecessor, Alvaro Uribe. Recentemente em Julho de 2010, Venezuela e Colômbia cortaram relações diplomáticas depois que Uribe acusou formalmente Chávez de abrigar rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na Venezuela. As acusações levaram a uma ruptura nas relações que caíram diretamente para Santos resolver quando assumisse a presidência em Agosto.
Por muitos aspectos, ele superou as expectativas.  
Com menos de um mês presidenciais, Santos conseguiu se conectar com Chávez de uma maneira que Uribe não fora capaz de fazer durante seus oito anos de mandato. Um encontro entre os dois presidentes em Agosto abriu o caminho para inúmeros gestos conciliatórios que levaram a promessas de restaurar o diálogo, o comércio e as normais relações diplomáticas. Esta normalização tem sido demonstrada através da promessa de ajuda humanitária para enfrentar um inverno especialmente duro que deixou centenas de milhares de desabrigados nos dois países.
“Deve-se dar o crédito a Santos por resolver o conflito com a Venezuela”, Brigadeiro General do Exército Colombiano Reformado Enrique Peña disse a ISN Insights de Bogotá, acrescentando que o conflito entre os dois países tinha sido em maior parte um conflito entre ambos os presidentes.
“Acho que há um compromisso de colaboração mútua entre os dois presidentes agora que não havia antes. Há um entendimento entre os dois presidentes para trabalhar em conjunto. Qualquer ameaça de conflito com a Venezuela foi completamente descartada.”
Se estes gestos resultando em uma maior aproximação se traduzirão em melhoria da segurança da fronteira e colaboração entre as forças militares continua obscuro. “Não haverá qualquer colaboração militar entre a Colômbia e a Venezuela”, diz Adam Isacson, associado sênior para a segurança regional no The Washington Office on Latin America 3.
“O comitê se reúne, e isso reduz a probabilidade de que um pequeno conflito possa levar a algo maior. Mas os dois países não têm uma história de colaboração militar”, disse Isacson, acrescentando, no entanto, que a aproximação levará a um aumento no comércio bilateral: “A Venezuela necessita de bens que a Colômbia produz”.   
As exportações colombianas para a Venezuela caíram de $6.09 bilhões em 2008 para $4.05 bilhões em 2009 e para $1.4 bilhões em 2010, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE) da Colômbia.

Relações Bogotá-Washington

Qual o impacto que a aproximação Colômbia-Venezuela terá sobre as relações entre Colômbia e Washington ainda está por ser visto. A reação dos EUA cautelosamente reservada, embora muitos analistas acreditem que a administração Obama esteja feliz em ter as duas nações colaborando. Altas autoridades dos EUA e da Colômbia têm dito que o estreitamento das relações entre Colômbia e Venezuela não terão impacto na forte parceria estratégica entre Colômbia e EUA.
Ainda assim, questões subjacentes com os EUA continuam por resolver. Santos decidiu não enviar para o Congresso um polêmico Acordo de Cooperação de Defesa entre os dois países, e os EUA deixou claro que o pendente Acordo de Livre Comércio entre ambos não é a maior prioridade. “Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial da Colômbia e estão mais interessados na Colômbia em termos de segurança regional. Se a Colômbia distanciar-se dos Estados Unidos, isso colocará esse relacionamento bilateral em risco. A Colômbia deve ser um pouco cautelosa para não afetar negativamente as relações com os Estados Unidos”, diz Rafael Nieto, consultor político.

Bogotá-Brasília… e arredores

Além das ondulações diplomáticas na frente Bogotá-Washington, a aproximação com a Venezuela parece ter impacto em muitas outras relações regionais. Na verdade, a chanceler Angela Holguin disse à imprensa colombiana em Novembro que a aproximação com a Venezuela tem melhorado as relações com os vizinhos latino-americanos da Colômbia – particularmente com a potência regional, Brasil.  
A primeira viagem de Santos como presidente foi para o Brasil, que os analistas acreditam ser um sinal de que ele está procurando melhorar relações com o país mais poderoso da América do Sul. Para este fim, ele nomeou Maria Mejia, uma diplomata aposentada e ex-Ministra das Relações Exteriores como candidata para o cargo de secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL).
Não está claro se Mejia é a melhor escolha para o trabalho, diz Nieto. “É inteligente da parte de Santos querer aproximar-se da UNASUL e seus vizinhos do sul, todavia indicar Mejia não é uma boa idéia. Sua candidatura é mal programada e pouco provável ser bem sucedida.”
Na verdade, as relações entre Colômbia e Brasil tem assumido uma crescente importância na  política externa colombiana no governo Santos. Isso pode ter tanto a ver com a política – por toda a América Latina, a ajuda antidrogas do Brasil é considerada menos politicamente arriscada do que a dos EUA – quanto com estratégia: o Brasil anunciou recentemente uma decisão de prestar assistência antidrogas para a Bolívia, uma atitude que foi bem recebida em Washington. O impacto negativo do comércio de drogas no Brasil – da violência em suas cidades até a corrupção no interior – combinado com as grandes forças armadas do país e amplos recursos econômicos fazem dele o candidato mais provável parcerias estratégicas contra as drogas com as nações produtoras de tais drogas.
Houve alegações de presença das FARC por toda a fronteira Brasil-Colômbia, que se confirmada, poderia levar a uma maior cooperação entre duas das forças militares mais poderosas da região. Isso já começou. Em Outubro, Brasil, Colômbia e Peru anunciaram um plano para uma ação militar conjunta ao longo de suas fronteiras comuns. O Brasil é também o maior exportador de cocaína para a Europa, na maioria, proveniente da Bolívia. Evidência de que algumas das vias navegáveis da Amazônia estão sendo usadas para transportar cocaína da Colômbia para o Brasil iria provavelmente acelerar este processo de cooperação. A aproximação entre Bogotá e Brasília é um passo importante para melhorar a segurança regional. A América do Sul tem sido bem sucedida na organização de grandes blocos de lideranças, com a UNASUL sendo o exemplo mais notável. No entanto, laços estratégicos bilaterais próximos entre os países pode se mostrar mais efetivo em provocar reformas sociais, econômicas e de segurança.
Além do Brasil, Santos também tem procurado uma maior aproximação com o Panamá e Equador, e fez suas primeiras viagens como presidente para o México, Chile, Argentina e Peru.
O Washington Post chamou recentemente Santos de “um novo tipo de diplomata”, citando a sua “habilidade camaleônica de adaptação ao clima político atual.” Esta é uma habilidade que ele terá que aproveitar para se adaptar às demandas específicas de cada país. Santos já foi muito bem sucedido em normalizar as relações entre a Colômbia e seus vizinhos, bem como em preparar o caminho para a futura segurança regional e iniciativas de cooperação.
Todavia, atacar com sucesso o crime multinacional exigirá uma estreita colaboração com outros países, particularmente com as nações da América Central sob crescente pressão dos cartéis de drogas com alcance internacional. A administração de Santos trabalha para preencher a lacuna política entre a Colômbia e seus vizinhos do Sul, sendo isso um passo importante, fazendo com que a Colômbia comece a reconquistar alguma de sua credibilidade com os vizinhos da América Latina perdida na administração Uribe. Porém, um olhar ao norte, para a América Central também será necessário para melhorar a segurança regional.

 

 

 

Original pode ser acessado em: http://www.isn.ethz.ch/isn/Current-Affairs/ISN-Insights/Detail?lng=en&id=126088&contextid734=126088&contextid735=126085&tabid=126085 acessado em 31 de Janeiro de 2011. Traduzido por Leandro Couto Carreira Ricon (graduado em História pela Universidade Católica de Petrópolis; pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente).

 

 

Notas do Tradutor:

1. Eliot Brockner é analista da América Latina junto ao iJET Intelligent Risk Systems. Sediado em Washington, DC, cobre segurança, política e diplomacia nas Américas. Colaborador regular do blog Latin American Thought
2. Também conhecido por Tulio, um líder da Frente de Guerra do Norte do Exército de Libertação Nacional (ELN)
3. O Escritório de Washington para assuntos da América Latina (WOLA na sigla em inglês) é uma organização não governamental que promove os direitos humanos, a democracia e a justiça em âmbito social e econômico na América Latina e no Caribe. O WOLA facilita o diálogo entre governos e atores não governamentais, assim como também monitora o impacto de políticas do governo estadunidense e de organizações internacionais, e promove alternativas através de pesquisa, informação, capacitação e incidência política. Fundado em 1974 por uma coalizão de líderes religiosos e civis, WOLA trabalha em estreita colaboração com organizações da sociedade civil e oficiais governamentais de todo o hemisfério. Para mais informações:  www.wola.org acessado em 2 de Fevereiro de 2011. (N do T)

 

BROCKNER, Eliot. Colômbia: Política Externa em Fluxo. Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 6, Nº5, Rio, 2011 [ISSN 1981-3384]

Logo financiadores

Edições Anteriores

Vitrine do Tempo Presente

Cine Tempo

Frontpage Slideshow | Copyright © 2006-2011 JoomlaWorks Ltd.

Warning: fopen() [function.fopen]: SAFE MODE Restriction in effect. The script whose uid is 3619 is not allowed to access /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data owned by uid 48 in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 88

Warning: fopen(/var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php.lock) [function.fopen]: failed to open stream: File too large in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 88

Warning: fwrite(): supplied argument is not a valid stream resource in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 89

Warning: fclose(): supplied argument is not a valid stream resource in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 90

Warning: fopen() [function.fopen]: SAFE MODE Restriction in effect. The script whose uid is 3619 is not allowed to access /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php owned by uid 48 in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 102

Warning: fopen(/var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php) [function.fopen]: failed to open stream: File too large in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 102

Warning: fwrite(): supplied argument is not a valid stream resource in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 103

Warning: fclose(): supplied argument is not a valid stream resource in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 104

Warning: fopen() [function.fopen]: SAFE MODE Restriction in effect. The script whose uid is 3619 is not allowed to access /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php owned by uid 48 in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 110

Warning: fopen(/var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php) [function.fopen]: failed to open stream: File too large in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 110

Warning: include_once() [function.include-once]: SAFE MODE Restriction in effect. The script whose uid is 3619 is not allowed to access /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php owned by uid 48 in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 40

Warning: include_once(/var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php) [function.include-once]: failed to open stream: File too large in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 40

Warning: include_once() [function.include]: Failed opening '/var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/data/ML_lcode.php' for inclusion (include_path='.:/usr/share/pear') in /var/www/tempopresente/site/plugins/system/advancedmodules/images/index.php on line 40